Já ouviu a história dos dois amigo caminhando pela praia? Bom, eu não vou contar aqui, mas a moral é a seguinte: quando alguém nos magoa devemos escrever na areia, onde os ventos do perdão possam apagar o que aconteceu, mas quando alguém nos faz algo de bom devemos gravar isso na pedra, onde nenhum vento jamais poderá apagár tal feito. Enfim, hoje é aniversário do meu pai, Dia dos Pais está chegando... então vou escrever no meu blog (minha pedra da historinha aí atrás - quem não tem cão, caça com gato!) sobre as coisas boas que meu pai fez por mim. Vou dar um jeito depois de achar os tais ventos do perdão.Sou muito grata por ele ter cuidado de mim quando eu não podia andar, falar ou me alimentar sozinha (sim, eu já fui assim, um bêbê); por ter me colocado em boas escolas; por torcer pelo meu sucesso profissional (pessoal já são outros quinhentos); por ter pago meu curso de Inglês e não ter me deixado desistir dele, que hoje se mostra tão essencial para mim quanto o ar que respiro; por ter me dado a melhor mãe do mundo e um irmão que aprendi a amar muitão; por ter feito algumas das minhas vontades, como a minha viagem para Toronto, que mudou tantas coisas em mim... e, finalmente, por me amar. Mesmo que seja um amor do jeito dele: meio bruto, distante, ausente... mas não tiro o mérito de ser amor. Como diz minha cara Martha Medeiros (acostumem-se, ela vai ser citada outras vezes): "Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se."
E parece que a gente foi deixando os nossos corações virarem pedra e gravamos neles as coisas ruins. E a gente deixou-se embrutecer, a mágoa fazer morada. Mas, otimista que sou, ainda acredito que dá tempo. Tempo de arrancar a pedra e lançá-la ao mar, que lava as impurezas. Tempo, não para voltarmos a ser o que éramos, mas sermos melhores.
Se toda longa jornada começa com um primeiro passo, eu estou disposta a dar esse pontapé inicial. Não sei se forte o bastante para quebrar a cara quantas vezes forem precisas, mas disposta a tentar.... segundas, terceiras, septugésimas sétimas vezes.
Preciso dizer: Pai, sou muito grata por tudo que fez por mim e te amo. Da minha forma: meio bruta, distante, ausente.
